Peixes e metal pesado

Há poucos dias conferimos aqui no Nutrir com Ciência, o efeito na melhora da aprendizagem, memória e atenção quanto ao consumo de peixes, no mínimo 2 vezes por mês. Embora já conhecemos seus inúmeros benefícios à saúde, visto ser uma ótima fonte de proteína de alto valor biológico, ômega 3, vitaminas e minerais, certos tipos de peixe tendem a ter um acúmulo de contaminação por metais pesados, como mercúrio, chumbo, arsênio e cádmio, sendo, inicialmente causador de danos digestivos e a longo prazo, prejudicial por sobrecarregar o trabalho hepático e atrapalhar o funcionamento equilibrado do organismo.

A maioria dos peixes é contaminado por seu habitat: a água, cujos dejetos industriais, mineração, entre outros tipos de poluição são depositados.

Os níveis destes metais pesados diferem bastante entre as espécies, principalmente no quesito “peixes predatórios”, ou seja, aqueles maiores que comem outros peixes e estão no topo da cadeia alimentar, possuem maior tendência a ter acúmulo de metais pesados, como Cação, Pescada branca, Tainha, Cavala, Garoupa, Arenque, Peixe espada e Panga. Já os peixes mais seguros para consumo são: Salmão selvagem, Sardinha, Truta, Pintado, Merluza, Linguado e Anchova. Outros não citados são considerados de média contaminação, também viáveis ao consumo. Aproveite esta época mais propícia, o início do verão, para desfrutar, agora “com ciência”, dos benefícios e sabor deste rico alimento!

Por: Bruna Deolindo Izidro.

Peixe e cognição

Você sabia que o que você come na infância e adolescência pode influenciar a cognição na vida adulta? Esse estudo publicado em 2017 avaliou o consumo de peixe em crianças e adolescentes influenciando em alguns aspectos da cognição no adulto. Após as análises, os autores observaram que o consumo de no mínimo 2 vezes por mês de peixes durante a infância e adolescência melhorou, na vida adulta, a aprendizagem, memória e a atenção dos indivíduos!! Você tem filho(a) e está preocupado com a alimentação dele(a)? Procure um nutricionista.

Peixes e Toxinas

O consumo de peixe é um hábito que nós nutricionistas sempre enfatizamos, pois sabemos que existe alguns benefícios à saúde obtidos através de seu consumo, como o aumento da ingestão de ômega-3, e por isso o peixe se tornou um importante constituinte da dieta. Porém o consumo de peixe também pode representar uma fonte de exposição a uma variedade de contaminantes tóxicos. Algumas publicações recentes mostram amostras de peixes contaminadas com hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e metais-traço (ex: arsênico, cromo, níquel) como consequência do desenvolvimento industrial e urbano. Sabendo disso, esses autores decidiram avaliar a concentração de arsênico e ômega 3 em 578 amostras de peixe, contemplando 15 espécies diferentes. Observaram concentrações de arsênico que não excedia o limite tolerável de ingestão para um adulto, mas pontuaram uma preocupação com o consumo crônico. Além disso, enfatizaram o consumo dessas concentrações por crianças, tendo em vista a área corporal média das crianças. Os resultados desta publicação ainda mostraram que o atum, dentre as amostras avaliadas, foi o peixe que apresentou maior concentração de ômega 3. Entretanto, por ele ser um peixe grande, também tem mais risco de contaminação. Embora o estudo não tenha avaliado a sardinha, como ela é muito comum no Brasil e tem um preço acessível, é interessante destacar que seu conteúdo de ômega-3 é bem interessante e, por ser um peixe de menor tamanho, o risco dela estar contaminada também é menor. Lembre-se, antes de tornar essas e outras informações um senso comum, consulte o seu nutricionista!